Tenda dos Pensadores debate novo projeto para o país com mais democracia


20 de julho de 2018 - 19h02

Um projeto para o Brasil foi o tema discutido na manhã desta sexta-feira (20) na Tenda dos Pensadores, no II Festival Internacional da Utopia, realizado em Maricá, de 19 a 22 de julho. Integraram a mesa o cientista social Rodrigo Marcelino, da Frente Brasil Popular, o pesquisador especializado em políticas públicas para cultura e professor da PUC-Rio, Miguel Jost, o editor da Revista Fórum, Renato Rovai, e a urbanista e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP Ermínia Maricato.

Rodrigo Marcelino desenhou um painel da exploração capitalista nos últimos 20 anos. Para ele, “o casamento entre democracia e capitalismo está minguando”. “O total de pessoas que vive com menos de 400 reais por mês está chegando a um quarto da população. O Brasil viu pela primeira vez em desde 1990 aumentar o índice de mortalidade infantil”, disse.

Ele defendeu a necessidade urgente da retomada do país para o caminho da democracia para estancar a sangria da retirada de direitos sociais. “A luta pela democracia está na ordem do dia. É necessário que as forças progressistas retomem o contato com o povo.”

A urbanista Ermínia Maricato ressaltou que não é possível “retomar a democracia brasileira sem passar pelas cidades”. Ermínia lembrou como a participação popular por meio da democracia direta foi fundamental para as conquistas sociais no país que ela chamou de “ciclo virtuoso”, exemplificado em projetos como os Cieps, nos governos de Leonel Brizola no Rio de Janeiro, e os CEUs na prefeitura petista de São Paulo com Marta Suplicy.

Para Ermínia, o Brasil precisa de um novo projeto. Segundo ela, o forte desequilíbrio na balança a favor do capital privado ocasionou cidades que tiram das pessoas o poder de decisão. “Não são as necessidades do povo que dirigem o investimento do poder público, é o interesse da especulação imobiliária.” A urbanista ainda apontou a reconstrução do elo entre as forças progressistas e as juventudes das periferias das cidades como fundamental para um novo projeto de país. “Nós temos que aprender com a juventude que trabalha menos verticalmente e mais horizontalmente.”

O professor da PUC-Rio Miguel Jost destacou como ponto importante a retomada de projetos de valorização da cultura periférica. “Não precisamos levar cultura, mas reconhecer o que existe nos territórios”, afirmou. Conforme ele explicou, o Estado tem a tendência de menosprezar saberes populares, e o próprio campo de esquerda muitas vezes reproduz esse pensamento. No entanto, Jost destacou que a cultura pode ensinar muito e promover segurança, saúde e educação. “O Estado tem que ser ativador do território.”

O jornalista e editor da Revista Fórum, Renato Rovai, falou sobre o papel da mídia nesse cenário. “Estamos num momento muito duro da história do Brasil”, destacou. “A imprensa e a mídia se colocam como o próprio golpe, para legitimar as privatizações, reformas trabalhista e da previdência e ataques aos direitos dos setores mais populares”, ressaltou.

Inscreva-se

Para o acampamento da juventude