Tenda dos Pensadores debate os desafios do Rio de Janeiro


21 de julho de 2018 - 17h02

Na manhã deste sábado (21), a Tenda dos Pensadores debateu os caminhos possíveis para que o Rio de Janeiro saia do cenário de profunda crise. A mesa contou com a participação da professora e pesquisadora Morgana Eneile, o economista e doutor em planejamento urbano e regional Mauro Osório e o professor da PUC-Rio Aldair Rocha.

Morgana defendeu como saída para a crise a priorização de políticas públicas para jovens e mulheres. “É preciso encontrar uma centralidade para que mulheres e jovens estejam na política”, disse ela, destacando que esses públicos devem ser priorizados na saúde, na educação e na cultura.

Ela ressaltou ainda o direto de escolha dos jovens moradores de periferia que, devido à realidade cultural e econômica local, acabam empurrados para o mercado de trabalho. “Uma pessoa rica não é questionada se decide tirar um ano sabático. O pobre parece destinado ao ‘você tem que’. Você tem que trabalhar, você tem que estudar. O jovem da periferia tem que ter direito ao desejo, o direito ao ócio, o direito de decidir”, argumentou.

Mauro Osório sustentou que é o momento de “trocar a raiva pela utopia” e fez um resgate histórico dos problemas que levaram o Rio de Janeiro à situação de crise, desde a perda da sede como capital federal. “Gerava um dinamismo econômico. Quando a gente perde a capital, não põe nada no lugar”, explicou. Osório falou também sobre a falta de reflexão do Rio de Janeiro nas universidades do estado. “Nem UFRJ, nem Uerj, nem PUC, nem UFF têm uma linha de pesquisa sobre o dinamismo econômico do Rio de Janeiro”, comentou.

O economista destacou ainda a decadência da política institucional do Rio. “Nos últimos anos o estado teve três governadores presos, um deputado estadual que foi presidente da Câmara (Eduardo Cunha) preso. O nosso estado viveu uma política desestruturante”, analisou.

O professor Aldair Rocha fez uma reflexão sobre como a política praticada no estado do Rio de Janeiro persiste com um modelo historicamente escravocrata. “Quem mora na favela é quem faz a cidade existir. As luzes começam a acender nas favelas às 3 ou 4 horas da manhã todos os dias. Que vida é essa? Que relação é essa que tem com os filhos? Como será a realização profissional?”, indagou.

Para Rocha, a saída para a crise do estado depende do repensar da vida urbana no Rio de Janeiro. “É preciso repensar o projeto urbano como tal, onde acesso e direito sejam iguais para todo mundo”, afirmou. “Não dá para discutir história e território sem entendermos o que é a favela. O que precisa ficar claro é que favela é cidade.”

Inscreva-se

Para o acampamento da juventude