Festival da Utopia debate resistência LGBT


22 de julho de 2018 - 14h31

A Tenda de Direitos Humanos do II Festival Internacional da Utopia foi “batizada”, na tarde deste sábado (21) de Tenda Marcia Marçal para receber a roda de conversa sobre Direitos Humanos LGBT. Falecida em 2015, Marcia foi uma das militantes mais importantes de Maricá e uma das fundadoras da Parada LGBT da cidade.

A retirada de direitos promovida pelo golpe contra a presidenta Dilma Rousseff foi o tema que costurou a fala dos participantes do encontro.

A roda de conversa foi mediada pelo coordenador LGBT de Maricá, Carlos Alves.

Foto: Thiago Lara / Divulgação Festival da Utopia

 

Uma das próximas ações da Coordenadoria deverá ser a criação de um Conselho Municipal LGBT para aproximar ainda mais a pasta da população.

“A nossa missão é ouvir os companheiros LGBTs, os movimentos sociais para avançar na construção de políticas públicas e lutar contra o golpe. Longe da democracia, a gente não vai a lugar nenhum”, disse o coordenador.

A ativista Indianare Siqueira abordou o impacto do golpe sobre a vida de LGBTs em situação de vulnerabilidade.

“Desde o impeachment de Dilma Rousseff a gente viu como os direitos foram rasgados. A soberania nacional está colocada em risco. Estão esfacelando o país. Quem vai sofrer mais são as pessoas mais pobres. Enquanto que com Lula se construía mais universidades agora se constroem mais cadeias”, afirmou.

Ela homenageou os governos do ex-presidente Lula e da ex-presidenta Dilma Rousseff ao lembrar das políticas públicas criadas durante o período e retiradas com o golpe jurídico-parlamentar.

“Devemos lembrar que, no governo do PT, a gente teve três congressos nacionais LGBTs. Agora, não temos mais nada”, recordou.

Uma das mais importantes militantes do movimento lésbico da história do país, a fotógrafa Yone Lindgren falou sobre a importância da união de LGBTs neste contexto institucionalizado de opressão.

“Esse movimento não pode involuir. Quando matam um de nós, é um pedaço de nós que vai junto. Vamos largar as gavetinhas, os armários e as cristaleiras e ir à luta.”

Ela não deixou de criticar os que usam o movimento LGBT para conseguir um cargo no poder público. “A gente não pode esperar que aquela carinha academicista que busca um emprego no governo vá fazer algo. Não vai ser esperando a ação de pessoa que vivem a heteronormatividade que a gente vai conquistar direitos.”

 

Intolerância religiosa

A artista transexual Katia Jones lamentou o crescimento do ódio contra as religiões de matriz africana, que, por suas doutrinas mais inclusivas, abrigaram historicamente a fé das pessoas LGBTs.

“Agora querem fazer uma lei para mexer nos nossos rituais, impedir a oferenda dos animais aos orixás. Eu sou candomblecista, sou da religião que mais abraça os LGBTs. A gente não pode deixar isso acontecer”, disse.

O evento foi encerrado com as performances arrasadoras de Katia Jones e Angelika Rawaxi em interpretações viscerais de canções de cantoras como Fafá de Belém e Sandra de Sá. As estrelas foram aplaudidas de pé pelo público presente.

“Quando um artista LGBT é aplaudido, são todos os LGBTs que são aplaudidos junto”, disse Angelika ao encerrar o show.

Foto: Thiago Lara / Divulgação Festival da Utopia

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